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Postos, franquias e motéis: Operação revela como o PCC lavava dinheiro em São Paulo

Postos, franquias e motéis: Operação revela como o PCC lavava dinheiro em São Paulo
O empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, é o principal alvo de operação contra o PCC. Foto: Fotos: Reprodução/ Redes Sociais e Divulgação/Receita Federal / Portal de Prefeitura
Publicado em 25/09/2025 às 15:41

Gaeco, Polícia Militar e Receita Federal miram esquema bilionário comandado por Flávio Silvério Siqueira, com atuação em combustíveis, imóveis, franquias e motéis; alvos ligados ao Tatuapé também são investigados

Nesta quinta-feira (25/09), o Gaeco, em conjunto com a Polícia Militar e a Receita Federal, deflagrou a Operação Spare, desdobramento da Carbono Oculto, para desarticular um amplo esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O principal alvo é Flávio Silvério Siqueira, conhecido como “Flavinho”, acusado de comandar a rede de lavagem em diferentes setores da economia formal. Também são investigados associados da região do Tatuapé, além do empresário Maurício Soares de Oliveira, apontado como responsável pela movimentação irregular em dezenas de lojas franqueadas.

Segundo as autoridades, a organização criminosa movimentou bilhões por meio de postos de combustíveis, motéis, franquias de perfumaria, empreendimentos imobiliários, restaurantes e casas de jogos de azar.

Setor de combustíveis e BK Bank

A Receita Federal identificou 267 postos de combustíveis que giraram mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas 0,1% em tributos federais. Os valores recebidos eram transferidos para a fintech BK Bank, já alvo da Carbono Oculto, usada para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Franquias de O Boticário

Um dos pontos centrais da operação envolve 98 lojas da rede O Boticário, ligadas a Maurício Soares de Oliveira. De acordo com o Ministério Público, as lojas tinham 100% das receitas vindas de depósitos em espécie — um mecanismo clássico de lavagem.

Apesar disso, o Grupo Boticário declarou em nota que não tinha conhecimento nem responsabilidade sobre os atos ilícitos, reforçando que mantém políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e anticorrupção. “A companhia repudia veementemente qualquer ação ilegal ou que contrarie seus valores, e reafirma seu compromisso de colaborar com as autoridades competentes”, informou.

Motéis, imóveis e artigos de luxo

Mais de 60 motéis, a maioria registrados em nome de “laranjas”, movimentaram R$ 450 milhões e distribuíram R$ 45 milhões em lucros. Um dos restaurantes ligados a esses estabelecimentos distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros em apenas dois anos.

No setor imobiliário, incorporadoras associadas ao grupo realizaram compras milionárias — entre elas um imóvel de R$ 5 milhões em 2023.

Com o dinheiro ilícito, os investigados também adquiriram um iate de 23 metros, dois helicópteros (um deles modelo Augusta A109E), terrenos avaliados em R$ 20 milhões e um Lamborghini Urus. A Receita estima que os bens identificados representem apenas 10% do patrimônio real do grupo.

Conexões com o PCC

Embora o Ministério Público não tenha identificado alvos oficialmente “batizados” pelo PCC, investigações revelam fortes ligações de Siqueira e Oliveira com integrantes da facção.

Entre eles, nomes como Wagner Ferreira da Silva (“Cabelo Duro”), assassinado no Tatuapé e que frequentava a casa de Siqueira; José Carlos Gonçalves (“Alemão”), sócio em aeronaves e imóveis; e Rafael Maeda Pires (“Japonês”), também morto, que mantinha proximidade com o grupo.

Segundo o promotor de Justiça Silvio Loubeh, diversas empresas ligadas aos investigados recebiam altos volumes de depósitos em espécie, indício de ligação direta com o crime organizado.

Defesa dos investigados

O advogado de Flávio Silvério Siqueira, Marco Antonio Gonçalves, afirmou que seu cliente é “um empresário, dono de motéis, sem ligação com o PCC”, alegando que Siqueira foi perseguido por policiais que teriam tentado extorqui-lo no passado.

Já a defesa de Maurício Soares de Oliveira não respondeu aos questionamentos até o momento. Segundo O Globo

Impacto da operação

De acordo com o Ministério Público e a Receita Federal, as operações Carbono Oculto e Spare já bloquearam R$ 7,6 bilhões em bens de 55 investigados, como forma de ressarcir o Estado.

As investigações tiveram origem em apreensões de máquinas de cartão em casas de jogos clandestinos em Santos, que revelaram conexões financeiras entre postos de combustíveis e a fintech BK Bank.


Créditos: Informações reunidas de UOL e O Globo, Terra adaptadas em versão jornalística exclusiva para o Portal São Paulo 24 Horas

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