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Crise nos Correios

Presidente dos Correios justifica o rombo atual bilionário da estatal e insiste em dizer que gestão anterior sucateou empresa

Presidente dos Correios justifica o rombo atual bilionário da estatal e insiste em dizer que gestão anterior sucateou empresa
Presidente dos correios Fabiano Silva dos Santos/ Imagem divulgação
Publicado em 31/01/2025 às 16:47

Segundo o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), a estatal registrou um rombo de R$ 3,2 bilhões no ano passado.

O resultado fiscal prévio que apontou saldo negativo de R$ 3,2 bilhões nos Correios foi causado pela necessidade de recuperação da estatal que, segundo o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, encontrava-se na “bacia das almas” em meio a tentativas de privatização e precatórios.

Ao deixar nesta sexta-feira (31) o Palácio do Planalto, onde, acompanhado da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Correios disse que a empresa estava sucateada pelo governo anterior, mas que isso está sendo revertido para torná-la lucrativa ainda em 2025.

“Quando uma empresa é sucateada como ela foi, a gente tem trabalho grande para recuperá-la. Estamos trabalhando para tornar a empresa lucrativa ainda este ano, em 2025”, disse Fabiano.

O gráfico do site Poder 360 demonstra que os Correios enfrentam risco de insolvência, a atual gestão estaria atribuindo a situação ao governo passado.  

Imagem/Reprodução Poder 360

Ele ainda explicou que o resultado fiscal prévio apresentado pelo MGI não é o definitivo, e que os números finais, a serem divulgados em março, serão melhores, uma vez que vão considerar algumas mudanças adotadas pela atual gestão.

Ainda segundo fontes internas da estatal, afirmam que as justificativas divulgadas pelo presidente dos Correios não condizem com a verdade. ” Estão usando uma estratégia de gerenciamento de crise, divulgando a imprensa, fatos inverídicos para acobertar as informações publicadas essa semana pelo portal G1″. Comenta a fonte ao SP24H

“Essa prévia se refere a um contexto específico que foi a regulamentação ao compliance dado às compras internacionais. Isso teve um impacto significativo na nossa empresa. Além disso, tivemos também os precatórios que são frutos de gestões anteriores, estão contabilizados no nosso resultado”, acrescentou Fabiano Silva dos Santos.

Algumas informações publicas sobre as resoluções autorizadas também vão ao desencontro com as falas e justificativas do atual Presidente dos Correios segundo nossa fonte:

Receitas e despesas

A ministra Esther Dweck reiterou que o impacto de R$ 3,2 bilhões no resultado fiscal abrange “apenas receitas e despesas registradas no ano”, e que a situação herdada tornou necessário o uso de dinheiro que estava em caixa para compensar gastos que deixaram de ser feitos em anos anteriores.

Durante a reunião, o presidente Lula cobrou, segundo Fabiano dos Santos, a apresentação de um plano de reestruturação para a estatal. “Esse plano já está em andamento”, disse Fabiano dos Santos.

“Mas estamos trabalhando fortemente para que a gente entregue cada vez mais um Correio saudável e sustentável. Acima de tudo, um Correio que atenda à população, porque a população nos interiores desse país precisa muito dos Correios”, finalizou.

Ainda segundo a fonte do SP24H esse plano o qual o presidente dos Correios se referiu seria um financiamento internacional de R$ 4 bilhões para modernização, mas operação tem levanto dúvidas sobre viabilidade.

Os Correios estão em busca de um financiamento internacional no valor de 710 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4 bilhões, para investir em um projeto de modernização e inovação sustentável. A autorização para a captação do recurso foi concedida pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento. No entanto, a operação levanta questionamentos dentro e fora da estatal, principalmente pela falta de informações detalhadas sobre a obtenção do crédito e pela capacidade da empresa de arcar com uma nova dívida em meio a um cenário financeiro deficitário.

Inicialmente, os Correios tentaram captar o financiamento junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas não conseguiram atender a todos os critérios exigidos pelo banco para concessão do crédito. Segundo fontes internas da estatal, um dos principais entraves foi a necessidade de apresentar garantias financeiras sólidas, algo que os Correios não conseguiram comprovar devido aos dois anos consecutivos de prejuízo registrados em seu balanço financeiro. Enquanto o NDB ainda não deu o aceite, os Correios passaram a negociar com outras instituições financeiras nacionais, cujos nomes ainda não foram oficialmente divulgados, com objetivo de captar empréstimos para pagamento das últimas folhas dos salários dos empregados.

A obtenção do crédito, porém, não está garantida. A autorização concedida pela Cofiex permite que os Correios busquem instituições financeiras, neste caso NDB, que aceitem conceder o financiamento, mas não significa que o recurso será efetivamente liberado. Esse ponto, que não foi esclarecido pelo presidente da estatal em seu anúncio sobre o projeto, gera incertezas quanto à viabilidade do plano de modernização.

Outro aspecto polêmico da operação é a contratação de uma consultoria internacional no valor de R$ 15 milhões, sem licitação, por meio do modelo Inex (Inexigibilidade de Licitação). Esse tipo de contratação ocorre quando há notória especialização da empresa ou inviabilidade de concorrência. A justificativa oficial dos Correios é que a consultoria auxiliará na estruturação do projeto, fornecendo expertise técnica para implementar medidas sustentáveis e inovadoras no serviço postal. No entanto, fontes internas da estatal apontam que a escolha de uma consultoria estrangeira sem processo competitivo pode representar um risco à transparência da gestão financeira da empresa.

 O custo da operação preocupa especialistas do setor, que questionam a capacidade dos Correios de arcar com essa dívida em meio a um cenário de crescente concorrência no mercado de logística e entrega. Atualmente, a estatal enfrenta dificuldades para equilibrar suas contas, e a inclusão de um novo compromisso financeiro bilionário pode comprometer ainda mais sua sustentabilidade econômica. Comenta a fonte do SP24h

Um economista especialista em gestão pública, que preferiu não se identificar, alerta que qualquer operação de crédito desse porte precisa ser acompanhada de um plano sólido de recuperação financeira. “Se não houver um planejamento bem estruturado para que esse investimento gere retorno e aumente a eficiência da estatal, os Correios podem acabar ainda mais endividados”, afirma.

Internamente, funcionários dos Correios também demonstram preocupação com a falta de transparência no detalhamento do financiamento. Segundo fontes da estatal, o presidente da empresa omitiu informações cruciais sobre quais bancos estão sendo negociados, quais garantias serão oferecidas e qual o cronograma detalhado do projeto de modernização. Além disso, ainda não foi explicado de forma clara como os R$ 4 bilhões serão aplicados e quais serão os impactos esperados na eficiência operacional da empresa.

Diante das incertezas, a principal dúvida é se o financiamento realmente contribuirá para fortalecer os Correios ou se apenas aumentará o endividamento da estatal sem garantir um retorno financeiro suficiente para cobrir os custos da operação. Em um cenário de transformação digital e crescente concorrência com empresas privadas de logística, o sucesso da estatal dependerá não apenas da obtenção do recurso, mas da forma como ele será utilizado para garantir sua sustentabilidade nos próximos anos. Finaliza a fonte do SP24h

Fontes: Agência Brasil, Poder 360, portal G1, SP24h

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