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Crianças sem merenda e funcionários exaustos: crise nas creches de São Paulo coloca bebês em risco

Crianças sem merenda e funcionários exaustos: crise nas creches de São Paulo coloca bebês em risco
Publicado em 05/08/2025 às 16:03

CEI Vila Ernestina é alvo de denúncias por falta de alimentação, salários atrasados e ausência de funcionários; pais formam comissão, vereadores acionam o Ministério Público e Tribunal de Contas diante de situação emergencial

Na manhã de quinta-feira (31) de julho, uma reunião emergencial foi convocada para pais e funcionários dentro da unidade, Centro de Educação Infantil (CEI) Vila Ernestina, na zona sul de São Paulo — conhecida pela comunidade como “Creche do Bem” — para discutir a grave situação que vem se arrastando há semanas: falta de merenda, ausência quase total de profissionais da cozinha, salários atrasados e risco iminente de colapso no atendimento às crianças.

Suzane, mãe de um bebê de apenas 1 ano e 4 meses matriculado na unidade, esteve presente na reunião e relatou com emoção o cenário alarmante. “Hoje, há apenas uma funcionária para preparar a alimentação de 175 crianças. É desumano com ela, com os pequenos e com toda a comunidade”, disse. “Eles precisam ser ouvidos. As crianças não podem pagar esse preço.”

As denúncias chegaram ao gabinete do vereador Celso Giannazi (PSOL), que visitou a unidade após diversos relatos da comunidade escolar. A situação é considerada crítica: em dias anteriores, não havia nenhuma merendeira da empresa terceirizada responsável pelo fornecimento das refeições. A solução improvisada foi a própria diretora e três auxiliares técnicas de educação assumirem o preparo das mamadeiras e refeições.

A crise não é pontual. No dia 23 de julho, havia apenas uma funcionária para cuidar da alimentação de mais de 140 crianças durante todo o expediente. No dia 25, outro episódio revoltante: a mesma empresa terceirizada — a SEPAT Multi Service Ltda — ofereceu achocolatado com validade vencida a estudantes da EMEF Mário Marques de Oliveira, na região do Campo Limpo.

A DRE (Diretoria Regional de Educação) Santo Amaro foi comunicada formalmente, mas nenhuma providência foi tomada até o momento. “A empresa não paga salários nem vale-alimentação. Os funcionários estão exaustos, a maioria pediu desligamento. E quem sofre são os bebês, que correm o risco real de ficar sem comida”, declarou Giannazi.

Em reação imediata, o vereador, o deputado estadual Carlos Giannazi e a deputada federal Professora Luciene Cavalcante protocolaram uma representação conjunta no Tribunal de Contas do Município (TCM) e no Ministério Público de São Paulo, solicitando a apuração urgente do contrato entre a Secretaria Municipal de Educação e a empresa SEPAT.

O documento exige, entre outros pontos, a entrega dos relatórios de fiscalização da empresa, registros de faltas, eventuais sanções aplicadas, além da cópia integral do contrato. Também pede responsabilização administrativa dos gestores públicos e da empresa, diante do descumprimento das obrigações e do prejuízo ao erário e aos direitos fundamentais das crianças.

Diante da omissão do poder público, os próprios pais se mobilizaram para garantir a alimentação dos pequenos. “Estamos trazendo o que conseguimos: arroz, leite, frutas… Mas ainda assim falta comida e falta quem prepare. Isso é papel da Prefeitura, não da comunidade”, lamentou uma mãe que preferiu não se identificar.

“A precariedade atinge ainda os serviços de limpeza, que também devem ser suspensos nos próximos dias, aumentando o risco sanitário dentro das creches”. Comenta outra mãe que preferiu nao se identificar

A SEPAT é uma das empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura de São Paulo para atuar nas unidades escolares. Para os parlamentares que assinam a denúncia, a política de terceirização tem se mostrado ineficaz e desastrosa. “A empresa visa o lucro, não a qualidade da educação. E quando tudo dá errado, o prefeito Ricardo Nunes simplesmente desaparece. A terceirização só tem dado errado”, critica o vereador Giannazi.

A reportagem do São Paulo 24 Horas procurou a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação, a assessoria de imprensa encaminhou nesta terça-feira (5) de agosto, uma nota oficial que segue na íntegra abaixo:

Nota:

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, notificou a empresa SEPAT Multi Service Ltda, exigindo providências imediatas quanto ao fornecimento de alimentação e recomposição das equipes, a fim de garantir o atendimento adequado nas unidades educacionais mencionadas. Em caso de reincidência, o contrato será sumariamente rescindido. A SME não pactua com a postura negligente do prestador de serviços e desconhece qualquer doação de alimentos para as unidades, pois não é autorizado esse tipo de prática.

Vale ressaltar que a Prefeitura preza pela oferta de merenda adequada, variada e de alto valor nutricional aos estudantes. Prova disso é o que a gestão municipal foi reconhecida internacionalmente, em 2022, com a premiação pelo projeto “Cardápio Escolar Sustentável” durante o C40 World Mayors Summit, conferência mundial de ação climática que aconteceu na Argentina.

O cardápio servido em toda rede municipal leva em consideração as orientações estabelecidas nas Resoluções FNDE nº 06/2020, entre outras diretrizes. Não são ofertados alimentos açucarados nos CEIs e a oferta para as demais etapas segue os parâmetros do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Atenciosamente,

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃOASSESSORIA DE IMPRENSA / ASCOM[email protected]TEL.: 55 11 3396.0356/ 1183/ 1168/ 0756/ 0359/ 0354/ 0353/ 0351Rua Borges Lagoa, 1230 | Sala 2504038-003  | São Paulo | SPhttps://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/


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