Sociedade
Como a personagem Mafalda pode ajudar a entender a melancolia de fim de ano

Amigo secreto, ceia de Natal, confraternizações em família, pular sete ondas na praia e vestir branco na virada do ano estão entre as tradições que marcam as celebrações de Natal e Ano Novo. No entanto, em meio a tantas festividades, é natural que algumas pessoas sintam um vazio e uma tristeza.
Mas por que isso acontece? A ciência pode ter uma resposta.
O notório psicanalista Sigmund Freud produziu um texto, em 1917, chamado Luto e Melancolia. Na obra, Freud destaca as diferenças e semelhanças entre ambos sentimentos.
O luto ocorre quando se perde um objeto – que pode ser uma pessoa, um relacionamento, ou até mesmo uma ideia – e se sabe o que foi perdido. A melancolia, por sua vez, é uma condição psíquica profunda, diferente da depressão comum.

No estudo, Freud propôs que a melancolia está ligada a uma perda interna, complexa e inconsciente, mas o luto não. O luto reconhece a perda do objeto conscientemente, de modo com que a dor possa ser elaborada ao longo do tempo.
Neste sentido, os psicanalistas veem a tristeza de fim de ano muitas vezes como um luto simbólico. A perda é sutil: de oportunidades não aproveitadas, de cenários hipotéticos (o que quase foi dito ou o que poderia ter sido feito) e da versão idealizada de cada indivíduo.
Todas essas pequenas perdas vêm como uma avalanche nessa época, em que se é socialmente esperado alegria, sucesso e harmonia. Tamanha pressão social e quebra de expectativas resultam em uma enorme sensação de perda, semelhante àquela estudada por Freud.
Mas e a Mafalda?
Em 1964, pela imaginação do cartunista Quino (Joaquín Salvador Lavado), nascia a personagem Mafalda. Uma garotinha de seis anos, mas que já tinha um espírito disruptivo e um caráter questionador.
Em muitas de suas tirinhas, a personagem critica comportamentos sociais e discursos prontos, revelando um incômodo diante de convenções que parecem existir mais por obrigação do que por sentido real.
Essa postura bate de frente com a melancolia mencionada anteriormente: as celebrações padronizadas, os encontros compulsórios e a felicidade quase que mandatória, nem sempre correspondem às experiências individuais.

Mafalda expõe o vazio por trás de certos costumes, escancarando o cansaço emocional que atravessa essas datas, e convidando os leitores à reflexão.
Então, já que a tendência para esta época é de introspecção, a importância em tirar um tempo do trabalho e dos afazeres cotidianos para ponderar sobre o mundo se torna fulcral. Não só o mundo interno, composto de valores, metas e crenças pessoais, mas também o externo – pautado na coletividade e nas normas sociais.







