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Fabiano Silva pede desligamento dos Correios em meio a rombo bilionário e disputa de bastidores

Fabiano Silva pede desligamento dos Correios em meio a rombo bilionário e disputa de bastidores
Imagem/Reprodução
Publicado em 05/07/2025 às 15:48

Renúncia foi protocolada no Planalto na sexta‑feira (4); estatal soma prejuízos de R$ 2,6 bi em 2024 e R$ 1,7 bi no 1º trimestre de 2025.

O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, de 49 anos, protocolou seu pedido de desligamento do comando da estatal na sexta-feira, 4 de julho de 2025. A carta de demissão foi entregue no Palácio do Planalto a assessores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no momento, cumpria agenda no Rio de Janeiro. A exoneração ainda não foi oficializada, mas deve ser confirmada após reunião presencial entre Lula e o agora ex-presidente da empresa.

A saída de Fabiano ocorre em meio a uma conjuntura de pressões políticas e números negativos no desempenho financeiro dos Correios. Desde o início do terceiro mandato de Lula, o partido União Brasil, que comanda o Ministério das Comunicações, tenta indicar um nome ligado à sigla para ocupar a presidência da estatal. O senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, são apontados como articuladores da troca no comando, intensificando as movimentações nos bastidores de Brasília. O nome do sucessor ainda não foi confirmado, mas fontes do governo confirmam que a sigla deseja assumir o cargo com apoio direto do Planalto.

Nos bastidores, aliados de Fabiano afirmam que sua permanência à frente da estatal tornou-se insustentável diante da pressão política e também de questões de saúde. Contudo, o cenário financeiro da empresa foi decisivo para acelerar o processo de substituição. Em 2024, os Correios fecharam o ano com prejuízo acumulado de R$ 2,6 bilhões, o pior entre as estatais federais. No primeiro trimestre de 2025, o déficit alcançou R$ 1,7 bilhão, gerando forte desgaste interno e externo.

Apesar dos números negativos, Fabiano atribui o mau desempenho da estatal a fatores externos, especialmente à criação da taxa para compras internacionais via varejistas chinesas, apelidada de “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo federal em 2023. A medida, segundo ele, reduziu drasticamente o volume de encomendas processadas pelos Correios e afetou diretamente a receita da empresa.

Além dos resultados financeiros, os patrocínios firmados pela estatal também se tornaram alvo de questionamentos. Em 2025, os Correios liberaram R$ 1,3 milhão para o Encontro Nacional de Novos Prefeitos e Prefeitas, evento de viés institucional que contou com a presença do presidente Lula e diversas autoridades políticas. No ano anterior, foram destinados R$ 2 milhões à “Casa Brasil” durante os Jogos Olímpicos de Paris, em operação que gerou críticas por suposto conflito de interesses. A mesma servidora que aprovou o patrocínio, Janete Ribas de Aguiar, também foi designada como fiscal do contrato, o que contraria o princípio de segregação de funções previsto no regimento interno da estatal.

Outros eventos internacionais também foram patrocinados, como a 36ª Feira Internacional do Livro de Bogotá, onde a empresa foi representada por Juliana Picoli Agatte, diretora de Governança e Estratégia dos Correios. Juliana foi indicada ao cargo pelo prefeito de Araraquara, Edinho Silva, aliado político de Lula e favorito à presidência nacional do PT. Antes disso, Juliana já havia sido secretária municipal de Governo, Planejamento e Finanças em Araraquara, e recebeu homenagem da Câmara Municipal em 2023, conforme registros públicos disponíveis nas mídias sociais e publicados em portais de notícias.

Enquanto isso, diversos pequenos empreendedores culturais, sociais e esportivos relataram nunca terem obtido resposta da estatal para solicitações de patrocínio, mesmo seguindo rigorosamente os critérios definidos pelo Estatuto dos Correios. Os relatos, enviados ao Portal São Paulo 24 Horas sob condição de anonimato, apontam que projetos enviados diretamente à presidência da empresa foram ignorados. Uma das empreendedoras, identificada como Maria, declarou que, ao buscar retorno direto de Fabiano, ouviu a resposta: “Não sou responsável por esta área”. Ao insistir por uma resposta oficial, ouviu do então presidente: “Espere sentada, quem sabe um dia alguém te responde”.

Casos semelhantes foram relatados por Ricardo, que desenvolveu projeto de horta comunitária; Leonardo, que propôs um evento cultural; e pelas empreendedoras Jô e Sil, responsáveis por iniciativas voltadas a crianças carentes. Nenhum dos projetos recebeu retorno da equipe de patrocínios da estatal, nem da ouvidoria.

Fontes internas dos Correios também relataram à reportagem que Fabiano Silva mantinha relações pessoais próximas com integrantes do círculo presidencial, como o publicitário Luiz Claudio da Silva, conhecido como “Janjo”, irmão da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Servidores ouvidos sob anonimato afirmaram que Fabiano dizia, nos corredores da estatal, que uma eventual CPI dos Correios teria Janja como alvo principal, em razão de supostas ligações com decisões tomadas no alto escalão da empresa. O ex-presidente ainda teria declarado que não teme investigações, por se considerar protegido diretamente pelo presidente Lula.

Com a vacância na presidência dos Correios, o Ministério das Comunicações, liderado por Frederico Siqueira Filho (União Brasil), trabalha nos bastidores para indicar o substituto. A definição deverá ocorrer nos próximos dias, após o retorno de Lula a Brasília. Até o fechamento desta reportagem, não houve manifestação oficial do Palácio do Planalto, dos Correios ou do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos. O Portal São Paulo 24 Horas segue à disposição para publicar as versões e esclarecimentos dos citados.

Fontes: G1 /Poder 360 / São Paulo 24 horas

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