Super faturamento
Nunes afasta secretário e troca comando da SPTuris em meio a investigação sobre contratos milionários com empresa ligada a ex-sócia

Controladoria do Município apura possível favorecimento e conflito de interesses em contratos que superam R$ 230 milhões.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), exonerou na noite desta quarta-feira (25) o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho da Silva, e demitiu o presidente da SPTuris, Gustavo Pires. A decisão foi tomada após documentos da Controladoria Geral do Município (CGM) indicarem possíveis irregularidades em contratos firmados entre a estatal municipal de turismo e a empresa MM Quarter Produções e Eventos — cuja proprietária já foi sócia de Marinho.
Em pronunciamento nas redes sociais, Nunes afirmou que, na sexta-feira passada (20), determinou a abertura de investigação após denúncias publicadas pela imprensa. Fontes oficiais disseram que a CGM recebeu uma procuração assinada pela empresária Nathália Carolina da Silva Souza em favor de Marinho, o que sugere vínculo direto entre o secretário e a fornecedora contratada pela SPTuris.
Contratos em análise e suspeita de favorecimento
A MM Quarter, registrada em nome de Nathália Carolina, acumula pelo menos R$ 229 milhões em contratos com a SPTuris desde 2022, de acordo com levantamento de veículos de imprensa.

Foto: Reprodução
Segundo a investigação em andamento, a empresa só passou a fechar acordos de grande valor com a estatal após a nomeação de Marinho para a Secretaria de Turismo. A mudança societária ocorreu poucos dias antes da indicação dele para o cargo, levantando indícios de possível favorecimento e conflito de interesse.
A companhia tem contratos para prestação de serviços ligados a eventos — um deles prevê atendimento de guias bilíngues durante o carnaval de rua da capital, com valor global estimado em R$ 9,4 milhões, embora parte dos veículos ressalte que esse valor represente teto contratual.
Troca na direção da SPTuris e reação do governo
No lugar de Gustavo Pires, que comandava a SPTuris desde 2021 e era responsável por atrair grandes eventos esportivos à capital, o prefeito nomeou o ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, Marcelo Vieira Salles — conhecido como Coronel Salles — para presidir a estatal municipal.
Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo afirmou que Nunes “não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou ilegalidade” e determinou que a Controladoria conclua “toda e qualquer apuração, inclusive sobre eventuais irregularidades cometidas por agentes públicos”.
Posicionamento da empresa MM Quarter
A MM Quarter divulgou nota ressaltando que “as insinuações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos” e negou que a sócia administradora seja “laranja”. A agência afirmou que Nathália Carolina “atua de forma ativa e comprovável na condução do negócio” e que sua evolução patrimonial é compatível com o mercado.
Pressão da oposição e investigação no MP
Parlamentares da oposição reagiram à denúncia e buscaram a intervenção do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O vereador Nabil Bonduki (PT) protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para apurar os contratos da SPTuris com a empresa.
A vereadora Luana Alves (PSOL) e outras parlamentares também apresentaram representações ao MPSP solicitando investigação sobre possíveis favorecimentos e uso de empresa “interposta”. O Ministério Público confirmou o recebimento das notícias de fato, que estão em análise.
Contexto político e repercussão
O episódio ocorre em um momento de maior escrutínio sobre contratos públicos na gestão Nunes e amplia a pressão sobre a administração municipal por maior transparência. A investigação da CGM segue em curso e pode resultar em novas ações administrativas e legais dependendo das conclusões sobre os contratos sob suspeita.
Fontes consultadas/ G1, Metropole, Uol






