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Enchentes no Sul

Guaíba volta a sofrer com avanço das águas e moradores revivem o drama das enchentes de 2024

Guaíba volta a sofrer com avanço das águas e moradores revivem o drama das enchentes de 2024
Imagens/ Arquivo pessoal de moradores do bairro Alvorada na cidade de Guaíba
Publicado em 29/06/2025 às 20:06

Comunidade do bairro Alvorada no município de Guaíba, enfrenta nova inundação e cobra respostas das autoridades: “Está tudo acontecendo de novo”. Comenta morador

GUAÍBA (RS) — A cidade de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, voltou a entrar em estado de alerta com a elevação repentina do nível do Rio Guaíba. Em menos de 24 horas, moradores do bairro Alvorada viram a água invadir ruas e casas com velocidade assustadora. Segundo relatos, o volume subiu cerca de 90% em um único dia, e famílias estão deixando suas residências às pressas.

A cena é um triste déjà-vu para a população local. Muitos ainda se recuperavam das perdas causadas pela tragédia climática de maio de 2024, considerada a maior enchente da história do estado. Agora, sem tempo de reagir e sem qualquer tipo de aviso oficial, os moradores enfrentam medo, incerteza e uma sensação de abandono.

“Estou com minha esposa grávida e a cada hora o rio sobe mais. Já começamos a subir os móveis e sair de casa, pois em menos de uma hora a água já está atingindo nossos joelhos aqui em Guaíba. Estamos em busca de segurança e com traumas. Não sei o que foi feito nesse um ano para se prevenir das enchentes na cidade de Guaíba. Ninguém nos falou. Mas está começando a acontecer tudo de novo”, contou um morador emocionado à reportagem.

Os relatos da população apontam falhas graves na prevenção. Nenhuma sirene foi acionada, nenhum aviso emergencial chegou aos moradores e, até o momento, nenhuma equipe da prefeitura apareceu no local para orientar ou prestar assistência. Famílias têm se organizado por conta própria para evacuar áreas de risco, transportar pertences e socorrer vizinhos.

Segundo moradores, as promessas feitas após a enchente histórica do ano passado não se concretizaram. Não houve dragagem do rio, reforço em diques, instalação de sistemas de alerta ou plano emergencial estruturado.

“Em maio disseram que seria a última vez. Passou um ano e nada mudou. O rio sobe e ninguém aparece. Nem para avisar, nem para ajudar”, desabafou Dona Alzira, aposentada, que perdeu todos os móveis na enchente passada.

Além das perdas materiais, a repetição da tragédia reacende um trauma coletivo entre os moradores. Especialistas alertam para a sobrecarga emocional das famílias, especialmente das que já haviam perdido tudo em 2024 e ainda tentavam recomeçar.

“A cada chuva forte, muitos entram em pânico. Crianças choram, adultos sofrem crises de ansiedade. É como reviver tudo novamente, sem ter se recuperado da primeira vez”, explica a psicóloga comunitária Ana Paula Guimarães, que atua em projetos sociais na região.

Sem estrutura oficial de apoio, é a própria comunidade que tem se mobilizado. Caminhonetes, barcos improvisados e grupos voluntários têm ajudado a remover pessoas e bens das áreas alagadas. Redes sociais também são utilizadas para pedidos e doações urgentes.

Apesar da força da solidariedade entre vizinhos, a população cobra ações concretas e planejamento real por parte das autoridades. Muitos se perguntam onde estão os recursos prometidos e o que foi feito com os estudos e relatórios produzidos após as enchentes anteriores.

A Defesa Civil Estadual informa que está monitorando a situação em tempo real, mas até o momento não há previsão clara de estabilização do nível do rio. A recomendação é que moradores em áreas de risco busquem abrigo em locais seguros e acionem os canais de emergência pelo 193 (Corpo de Bombeiros) ou 199 (Defesa Civil Municipal).

Enquanto isso, os moradores de Guaíba vivem mais uma vez a angústia da espera, sem saber quando – ou se – essa nova cheia terá fim.

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