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Flávio Bolsonaro entra no foco das autoridades após prisão preventiva do ex-presidente

Flávio Bolsonaro entra no foco das autoridades após prisão preventiva do ex-presidente
Senador Flávio Bolsonaro discursa em ato na Avenida Paulista ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em junho de 2025 • Reprodução: Youtube/Silas Malafaia
Publicado em 22/11/2025 às 15:50

Decisão do ministro Alexandre de Moraes aponta que o senador reproduziu métodos ligados à mobilização golpista e pode ser alvo de nova investigação no STF.

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada na manhã deste sábado (22), ampliou o alcance das investigações e colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de uma nova frente de apurações. Segundo fontes ligadas à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a convocação de uma vigília feita pelo parlamentar em frente à residência do pai pode configurar repetição de práticas já identificadas na atuação de grupos envolvidos na tentativa de golpe ocorrida em 2022.

Para auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos sobre a trama golpista no STF, o comportamento do senador demonstrou um “papel central” na articulação de uma mobilização que, na avaliação das autoridades, poderia ser utilizada para criar tumulto e facilitar uma possível fuga do ex-presidente. A PF informou ao Supremo que Flávio adotou procedimentos semelhantes aos empregados pela chamada “milícia digital”, por meio da disseminação de mensagens que estimulam ataques às instituições e incentivam atos antidemocráticos.

Ao determinar a prisão preventiva de Jair Bolsonaro — que ocorre antes do cumprimento definitivo da pena — Moraes afirmou que o senador pretende “reeditar acampamentos golpistas e gerar caos social no país”, ignorando sua posição institucional. Para o ministro, a convocação da vigília representava “altíssimo risco” à ordem pública, à efetividade da prisão domiciliar e ao andamento regular da lei penal.

O histórico de mobilizações em apoio ao ex-presidente, especialmente o acampamento realizado em 2022 em frente ao Quartel-General do Exército, foi citado como elemento que reforça a gravidade da nova convocação. Aquele episódio resultou na prisão e condenação de centenas de pessoas e é considerado pelo STF um dos fatores que antecederam os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Na análise de Moraes, o vídeo publicado por Flávio Bolsonaro convoca apoiadores sob uma retórica de enfrentamento ao Judiciário, repetindo a tese de perseguição e alegada “ditadura” da Suprema Corte. Até o momento, o senador não se pronunciou oficialmente sobre a prisão do pai, mas sua participação direta na mobilização pode resultar na abertura de um inquérito para esclarecer sua atuação.

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