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Diarista suspeita por morte de casal de idosos em BH relatou surto psicótico, afirma delegado

Diarista suspeita por morte de casal de idosos em BH relatou surto psicótico, afirma delegado
Imagem/Divulgação Site: Folha de SP
Publicado em 02/07/2026 às 22:51

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, 30, presa sob suspeita de matar em Belo Horizonte o advogado Cláudio Atala Inácio, 75, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, confessou o crime “informalmente” e afirmou que dopou o casal antes dos assassinatos, disse o delegado Gustavo Barletta.

Responsável pelo caso, ele afirmou à TV Record que ela relatou ter enfrentado um episódio de “surto psicótico”, que ouviu vozes mandando que matasse as vítimas e demonstrou arrependimento.

A suspeita foi presa nesta quinta-feira (2), em um hotel de Itabira, na região central de Minas Gerais. A defesa afirmou que apresentará seus argumentos no momento processual oportuno.

Segundo a investigação, Paola foi contratada para fazer um serviço de limpeza no apartamento na região centro-sul da capital mineira. Durante o trabalho, decidiu roubar o casal após encontrar dinheiro, joias e relógios no imóvel.

Antes do crime, conforme a Polícia Civil, ela colocou comprimidos de um medicamento psiquiátrico em um suco preparado pela idosa. “Ela deu a eles um sonífero que ela usa. Foram quatro comprimidos”, afirmou Barletta, em entrevista à TV Globo.

De acordo com o delegado, depois que o casal ficou sonolento, a diarista entrou no quarto para pegar os objetos de valor, mas percebeu que o advogado ainda estava acordado. Ela então foi até a cozinha, pegou uma faca e atacou o idoso. Em seguida, matou a empresária.

“As lesões nas mãos e nos antebraços mostram que eles tentaram se defender”, afirmou o delegado.

Segundo Barletta, a mulher não resistiu à prisão e disse que esperava ser localizada pela polícia. Ela também afirmou que se entregaria caso não fosse encontrada.

O delegado disse que a suspeita aparentava arrependimento durante o interrogatório.

O advogado Bruno Correa Lemos, que representa a diarista, afirmou em vídeo encaminhado à reportagem que ela possui histórico pessoal “extremamente conturbado” e diagnóstico de doença psiquiátrica.

“A documentação que comprova a situação de saúde de Paola ainda não chegou ao meu conhecimento. Assim que chegar, nós faremos um estudo muito responsável e técnico para verificar se ao longo da ação penal nós formalizaremos algum pedido de insanidade mental”, afirmou.

A Polícia Civil também investiga se a diarista teve ajuda para cometer o crime ou fugir. Segundo Barletta, a hipótese não foi descartada, mas, até o momento, não há elementos concretos que indiquem a participação de outra pessoa.

Uma circunstância sob apuração é o carro que a buscou depois do crime. A suspeita afirmou que ofereceu R$ 40 a um motorista que aguardava uma corrida por aplicativo para levá-la até a Praça Sete, no centro de Belo Horizonte. Até a manhã desta quinta, o condutor ainda não havia sido localizado.

Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher entrando no prédio pela manhã e deixando o local, à tarde, carregando duas sacolas e usando roupas diferentes das que vestia ao chegar.

Segundo a polícia, ela tomou banho no apartamento, saiu usando roupas e óculos da empresária e descartou, em uma caçamba próxima, a blusa que havia usado, uma bolsa e pedaços de uma caixa de relógio. A roupa tinha marcas de sangue.

A diarista teria roubado relógios, joias e dois celulares. As investigações apontam que ela vendeu os objetos no centro de Belo Horizonte. Os celulares foram encontrados no dia seguinte em uma caçamba, em Vespasiano, na região metropolitana da capital.

Os investigadores também apuram se a diarista pode ter praticado outros crimes patrimoniais. Segundo Barletta, um primo da empresária, que havia indicado a suspeita para trabalhar na casa do casal, relatou ter perdido a carteira após passar mal durante um jogo da Copa do Mundo. A Polícia Civil busca saber se o episódio tem relação com a diarista.

Fonte: redir.folha.com.br
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