Literatura
Como um cartunista da Playboy criou o livro mais enigmático

Conheça a história por trás de “A Árvore Generosa”
Sheldon Allan Silverstein (1930-1999) foi um artista multidisciplinar que marcou a história da literatura norte-americana. Quando criança sonhava em ser “um talentoso jogador de beisebol ou um sucesso entre as garotas”, como afirmou em 1975 para Publishers Weekly.
O destino, entretanto, tinha outros planos para Shel. Começou a escrever e desenhar suas primeiras histórias no jornal militar Pacific and Stripes, em meados de 1950, enquanto servia o exército da Coreia.
Foi quando começou a colaborar com a revista Playboy, que Silverstein ganhou notoriedade. Seu estilo de produção, já controverso e irreverente, chamava atenção de um editor de livros infantis. A princípio, escrever para crianças parecia uma tarefa inimaginável, já que levava um outro estilo de vida — não era casado e não pretendia ter filhos.
Foi arriscando que, em 1963, nasceu seu primeiro livro infantil, intitulado “Leocádio, o leão que mandava bala”. Desde então, publicou uma série de obras para o público jovem, mas a que se destaca é “A Árvore Generosa”.
Nasce um enigma

Considerado divisor de águas entre professores americanos, o livro segue o caráter de criação de Shel — simples e intrigante. A história acompanha uma árvore que, ao conhecer um menino, se encanta e dá tudo de si para ele, até restar apenas um toco.
A árvore oferece seus galhos como abrigo, seu tronco como cama, seus frutos e folhas como alimento para uma criança egoísta que, eventualmente, se desenvolve com a árvore até seus últimos estágios de vida. Durante todo esse percalço, a protagonista da história afirma estar feliz, mas não realmente… há uma sensação de vazio que lhe custa a vida. No fim da narrativa, o garoto – agora idoso – senta-se no toco que uma vez foi a magnífica árvore. Só então, ela pode se declarar “contente”.
Por seu caráter único e sarcástico, o cartunista enfrentou dificuldades para lançar a obra ao mundo. Ouvia que o enredo era triste demais para crianças e simples demais para adultos. A editora responsável por aceitar e publicar foi Ursula Nordstrom, que sustentava o lema “bons livros para crianças más”.
Fugindo de “finais felizes”, Silverstein abraça a ambiguidade de seus livros e utiliza de recursos como espaços em branco para enfatizar o peso da história que conta. “A Árvore Generosa” é um exemplo atemporal de narrativa que encanta e cativa, mesmo quando foge do comum.






