Sessenta e seis alunas do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), com idades entre 15 e 18 anos, foram vítimas de um ranking sexual criado por colegas na plataforma TierMaker, conforme registro policial.
O caso ocorreu em agosto do ano passado e, apesar de os autores terem sido identificados, o inquérito ainda não foi concluído.
Assim como ocorreu com as alunas do Colégio Cruzeiro nesta semana, em caso revelado pelo portal G1, o ranking foi montado na plataforma de tier list, formato em que itens são distribuídos em faixas de classificação.
As categorias traziam rótulos sexuais e depreciativos atribuídos às estudantes, segundo o relatado à polícia. O conteúdo já foi retirado do ar. No entanto, ao pesquisar pelos nomes das adolescentes, ainda é possível encontrar referências à lista na internet.
Procurada por e-mail, a plataforma não se manifestou.
A reportagem teve acesso aos registros de ocorrência do caso, ocorrido no campus São Gonçalo do IFRJ. Em um deles, a mãe de uma aluna, que na época tinha 16 anos, relata que, além dos nomes expostos, fotos das vítimas foram anexadas à publicação.
As estudantes foram classificadas em categorias como: “casar e não largar”, “boas e novas”, “maneirinhas”, “Só Nilso” (expressão de uso interno empregada de forma depreciativa) e “Tadala de 100 mg” (referência ao medicamento com conotação sexual).
Após apuração entre os próprios alunos, foi identificado que os responsáveis pela criação e divulgação da lista eram supostamente seis jovens: quatro estudantes com matrícula ativa no IFRJ e dois ex-alunos, todos maiores de idade.
Eles não tiveram as identidades divulgadas e a reportagem não identificou os responsáveis pela defesa.
Segundo as vítimas, o material circulou em grupos da instituição por meio de aplicativos de mensagens, ampliando o alcance da exposição.
O inquérito está registrado como “violência psicológica contra a mulher”. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que outros crimes poderão ser incluídos até a conclusão da investigação, entre eles o de cyberbullying.
Em depoimento, o então diretor da unidade afirmou que “a equipe de direção do Campus São Gonçalo enfatiza que a escola é uma aliada na proteção da imagem de crianças e adolescentes e, nesta situação em particular, também uma instituição que possui o dever de zelar pela proteção social de jovens expostas à violência de gênero”.
O IFRJ, que conta com cerca de 800 alunos e oferece cursos técnicos e de pós-graduação, não respondeu aos contatos da reportagem, realizados por e-mail e telefone.
Em junho deste ano, investigadores da 73ª DP (Neves), onde o caso foi registrado, solicitaram à Promotoria a prorrogação do prazo para concluir a investigação. O pedido foi aceito, sob a justificativa de que novas diligências fossem realizadas.
Outro caso da mesma natureza chamou atenção neste ano no Rio Grande do Sul. Em maio, dois meses após o registro inicial, a Polícia Civil gaúcha representou contra oito estudantes em Pelotas por ato infracional análogo ao crime de cyberbullying após a criação e divulgação de um ranking nas redes sociais com ofensas e comentários de cunho sexual contra cerca de 30 estudantes, principalmente meninas.
A Justiça homologou medidas socioeducativas para os adolescentes envolvidos.
As medidas que a Justiça pode aplicar em processos dessa natureza vão de advertência, obrigação de reparar o dano e prestação de serviços à comunidade até uma medida que impõe liberdade assistida.
A internação, medida mais severa, é reservada pela lei a atos cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, à reincidência em infrações graves ou ao descumprimento reiterado de medidas anteriores.







