A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu 16 pessoas nesta terça-feira (14) em uma operação contra campanhas falsas de arrecadação de dinheiro na internet, que usavam inteligência artificial para criar imagens de crianças com câncer e sensibilizar doadores.
Segundo a polícia, uma das campanhas falsas arrecadou R$ 294,5 mil, mas o valor financeiro movimentado pelos suspeitos é superior a R$ 1,7 milhão.
O delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, disse à Folha que o cumprimento de mandados da operação, batizada de Sophia, ainda está em andamento nesta tarde. O nome dos presos não foi divulgado pela Polícia Civil.
Segundo o delegado, o grupo usava fotografias verdadeiras, imagens falsas e histórias reais de pacientes com problemas de saúde, alteradas para dar credibilidade aos pedidos de doação.
Ao todo, foram expedidos 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
De acordo com a polícia, o caso veio à tona após denúncia feita pela mãe de uma menina em tratamento oncológico, que identificou fotos e vídeos da filha usados em redes sociais em campanhas de arrecadação sem ligação com a família.
A investigação apontou que um grupo interestadual desenvolvia campanhas falsas usando imagens modificadas, inclusive via ferramentas de inteligência artificial como deepfakes e clonagem de voz, para simular vídeos de crianças pedindo ajuda.
As campanhas eram divulgadas no Facebook e no Instagram em páginas que tinham nomes como “Unidos Pelo Amor”, “Doadores com Amor” e “Clube de Doadores”.
Ao acessar o link disponibilizado, os doadores eram levados a um site que imitava uma plataforma de arrecadação, na qual era gerado um código Pix. A polícia diz que, para dificultar o rastreamento, o dinheiro passava por empresas de fachada e intermediários, além de sites e domínios registrados no exterior.
Uma das empresas identificadas como parte do núcleo financeiro do grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão no período investigado. A origem do dinheiro ainda está sob apuração.







