Um laudo produzido pela Polícia Técnico-Científica não apontou lesões em uma criança de 4 anos que, segundo a mãe, teria sofrido possível abuso sexual em um dos banheiros da sede social do Palmeiras, em Perdizes, zona oeste de São Paulo.
Uma pessoa ligada à Polícia Civil ouvida pela Folha confirmou que o documento não identificou lesões, sêmen, irritação, conjunção carnal ou qualquer outro indício relevante.
O caso é investigado pelo 9º DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), localizado na Vila Pereira Barreto, zona noroeste da capital.
Um homem de 74 anos é investigado pela polícia. Ele prestou depoimento na terça-feira (16) e negou a acusação. “Todos os questionamentos acerca dos fatos noticiados foram esclarecidos à Autoridade Policial, sendo negada a acusação imputada”, declarou a defesa, em nota.
“As notícias veiculadas não condizem com a realidade apresentada no inquérito policial e, por isso, mais uma vez, confiamos plenamente que a justiça será feita e sua inocência será comprovada”, acrescentou nota encaminhada na última quarta-feira (17). A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito após obter a informação sobre o laudo.
Na noite desta segunda-feira (22), o Palmeiras afirmou que “segue colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela polícia e respeita o sigilo necessário para o esclarecimento dos fatos”. Em nota anterior, a gestão Leila Pereira havia determinado a suspensão imediata do associado suspeito. “Se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis”, dizia o comunicado.
O clube encaminhou à polícia imagens de câmeras de segurança. Nas gravações, o idoso aparece já dentro do banheiro. A criança entra em seguida e permanece por cerca de 17 segundos no local. Investigadores afirmaram que as imagens não mostravam nada atípico.
A mãe da criança disse que conhecia o idoso pelo clube e que ele já havia se aproximado da menina outras vezes, oferecendo pipoca. No dia do ocorrido, segundo relatou à polícia, enquanto aguardava o filho mais velho terminar uma atividade de futebol, ela se distraiu com o celular e a filha sumiu de vista, reaparecendo vinda da direção dos banheiros.
Ao questionar a filha sobre o sumiço, a menina teria dito que “era segredo” e confirmou ter estado no banheiro masculino. Após ouvir que na família não existem segredos, a criança teria falado que “o vovô colocou a mão lá”. Mais tarde, ao dar banho na menina, a mãe disse que notou a presença de secreção na região íntima da filha.
A mãe voltou ao Palmeiras para que a filha recebesse acolhimento da equipe de enfermagem.
“Prontamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento. Inclusive, todo o material já foi separado e enviado à polícia”, disse o Palmeiras em nota.
A defesa do suspeito afirma que ele só tomou conhecimento das acusações após a divulgação de uma nota oficial pela Sociedade Esportiva Palmeiras e da posterior repercussão do caso na imprensa.







