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Ser brasileiro está na moda?

Ser brasileiro está na moda?
Por Vitória de Assis Peres
Publicado em 05/03/2026 às 9:18

Entenda a onda ‘Brazil Core’, tendência dos últimos anos

Se você está antenado com as tendências de moda dos últimos tempos, provavelmente notou que vem surgindo uma inclinação estética para a cultura latina, sobretudo a brasileira. Peças estampadas com a bandeira do nosso país vêm sendo utilizadas frequentemente – especialmente na gringa. 

Mas não é só no mundo fashion que esse comportamento tem tomado forma. Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o cantor porto-riquenho Bad Bunny realizou seu sonho de infância de vir para o Brasil, onde performou shows da sua turnê Debí Tirar Mas Fotos – álbum que destaca a importância de reconhecer sua latinidade e abraçar tudo que ela proporciona. 

Esse sentimento ressoou nos brasileiros. Cansados de serem estereotipados e desvalorizados internacionalmente, nos perguntamos se algum dia seremos verdadeiramente vistos e reconhecidos. O que leva ao questionamento: de onde vem essa tendência? E por que ser brasileiro está na moda? 

Créditos: Reprodução/ X

Brazil Core’ é uma estética que busca reproduzir a essência brasileira através de símbolos culturais e elementos marcantes do país. A tendência procura exaltar todo o sazón – maneira como Bad Bunny e milhares de latinos se referem ao seu ‘diferencial’ – que caracteriza uma identidade.

A utilização de elementos da fauna e flora, bem como a valorização da beleza natural e a celebração da nossa diversidade são alguns dos ingredientes mais exaltados – e que compõem o ‘sazón’. Vale ressaltar também que, a maioria destes componentes prestigiados pelos gringos, são advindos da moda periférica. É o caso dos chinelos Havaianas, associado, por muito tempo, à periferia e, para as elites, classificado como mal gosto.

A consultora de estilo e pesquisadora de gênero Thais Farage, reforça que muitos dos elementos celebrados pelos estrangeiros foram, um dia, considerados ‘cafonas’ por nós também. Esse jogo muda quando uma nação é produtificada – ao traduzirem uma estética, a esvaziam de significado e bagagem cultural. 

Essa repentina valorização da cultura brasileira pode ser explicada pelo uso das redes sociais. É muito comum, especialmente entre os jovens usuários de Instagram e Tiktok, publicarem edits – vídeos curtos e criativos –  utilizando músicas ou elementos tradicionais do nosso costume. Isso desperta uma curiosidade irresistível no público gringo, que clama por um “bis”.

Acompanhar essa repercussão é o motor que impulsiona o sentimento de orgulho, especialmente em um ano tão caótico como 2026 – com Copa Do Mundo e Eleições. 

Nesse sentido, vale ressaltar a importância de expandir as raízes da estética ‘Brazil Core’, buscando aprofundamento na cultura e no zeitgeist brasileiro. Isso pode ser feito através da valorização de artistas locais; de buscar entender mais sobre as raízes típicas, como, por exemplo, estudar as comunidades quilombolas e indígenas e seu impacto no dia a dia.

Apenas deste modo é possível ecoar um senso de orgulho genuíno – um que esteja ligado ao Brasil, com ‘s’, e não o estereotipado Brazil.



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