Comportamento
Cultura das figurinhas: como surgiu e qual sua importância na comunicação

Entenda o poder da comunicação por meio de adesivos
Você provavelmente já escutou a expressão “trocar figurinha”, bem popular entre a geração Baby Boomer. Utilizada quando dizemos que trocamos informações ou experiências com alguém, a expressão surgiu lá pela década de 1940, e segue difundida até hoje. Mas você já se perguntou de onde vieram as figurinhas?
História
A origem exata é incerta, mas é possível estudar uma aproximação. Por volta do século XIX, europeus costumavam trocar cartões ilustrados, muitas vezes com dizeres da Igreja. Esse gesto, símbolo de comunidade e socialização, rapidamente se difundiu.
Em meados de 1800, lojas de departamento criavam cromos ou pequenos cards para popularizar seus produtos – seja uma marca de cigarro ou até mesmo embalagens de carne. No Brasil, não foi diferente. Empresas adotaram a técnica para vender cigarros, que já deixavam o consumidor ansioso pela vinda de uma figurinha na embalagem do produto.
Já no século XX, ganharam mais força com as Copas do Mundo. Crianças e adultos eram atraídos pelas pequenas imagens temáticas, e a febre pegou de vez. A fundação da Panini – criada em 1961, pelos irmãos italianos de mesmo nome – foi responsável por criar álbuns de colecionador.
Intensificando esse processo, no final do século XX, adesivos marcaram a cultura do hip-hop. Os stickers eram criados por artistas para espalhar suas tags e registrar sua assinatura com o mundo, e, por serem fáceis de produzir e divertidos, dominavam a população.

Adaptação
A popularização dos veículos digitais mudou a forma como as figurinhas eram consumidas. Em 1999, o designer japonês Shigetaka Kurita criou o que se tornaria o primeiro emoticon. Motivado em conceber ícones que traduziriam informações simples, tipo a previsão do tempo, Kurita desenvolveu um conjunto de imagens de 12 x 12 pixels, que podiam ser selecionadas em uma grade (estilo teclado) dentro da interface do i-mode – celulares do serviço pioneiro de internet.
Sua contribuição vai além de uma série de caracteres desenhados. Com os emoticons, as informações passaram a receber uma carga emotiva nas mensagens e textos.
Essa nova linguagem ganhou força com a Era Digital em que vivemos. A Unicode, padrão adotado mundialmente, facilitou a democratização dos então chamados emojis.

O que levanta a pergunta: o que faz uma imagem tão pequena dizer tanto sobre a forma que nos comunicamos?
Explicação
O teórico Marshall McLuhan, responsável por cunhar o conceito de ‘aldeia global’, acreditava que as imagens atuam como extensões dos nossos sentidos, de modo que superam o textual.
Para ele, mídias visuais como a TV e o Cinema ampliam nossa visão e sentidos, ao transmitir uma informação de forma imagética. Imagens têm o poder de evocar sentimentos com mais facilidade.
Nesse sentido, emojis e figurinhas humanizam a comunicação na Era Digital, tornando uma simples mensagem em uma ferramenta de conexão entre o emissor e o receptor.






