Icone do clima

Cinema

Cinebiografia: tendência ou retrocesso?

Cinebiografia: tendência ou retrocesso?
Por Vitória de Assis Peres
Publicado em 18/02/2026 às 16:50

Entenda o novo fenômeno da sétima arte e suas possíveis raízes

Na última sexta-feira (13/02), a Internet foi surpreendida com o anúncio de uma nova biografia nas telonas, desta vez da célebre cantora Cass Elliot (The Mamas and The Papas). A atriz escalada para viver Elliot é Jessica Gunning — a estrela da série Bebê Rena (Netflix). 

Acontece que Cass não é o único astro a ganhar uma cinebiografia. A tendência vem crescendo nos últimos anos, especialmente com o anúncio de outras histórias do mundo pop, como Michael Jackson, Janis Joplin e até mesmo os Beatles. Os filmes, ainda não lançados, parecem seguir a mesma linha narrativa planejada para Cass Elliot — retratar ícones da música psicodélica e pop/rock, passando por mitos pessoais e memórias. 

Mas qual seria o motivo por trás dessa tendência e quais as suas repercussões?

Definição

De acordo com a BBC UK, uma Biopic, termo em inglês para cinebiografia, é um gênero do cinema que busca contar a história de uma figura pública relevante para a sociedade. 

A história das biopics vêm desde os primórdios do cinema. O clássico Joan of Arc, dirigido por Georges Méliès (1900), é considerado por estudantes da área uma das primeiras biografias. Desde então, cineastas de todo mundo criam, e muitas vezes aumentam, narrativas para vender histórias de grandes figuras. Um caso famoso foi Amadeus (1984), que retrata a história de Mozart; o longa foi altamente criticado por exagerar a rivalidade entre o compositor e Salieri.

Cena de Joan of Arc, dirigido por Méliès em 1900

Popularidade

Uma possível explicação para esse gênero ser tão popular reside em fatores de mercado. Com o crescimento de streamings e de premiações que valorizam esse tipo de produção, o cinema tem apresentado uma grande quantidade de filmes biográficos, pois as pessoas estão buscando histórias que pareçam reais em meio a tanta ficção. 

Serviços como Amazon Prime, Netflix e HBO apostam em biografias porque, culturalmente, possuem um alcance maior e já tem uma audiência interessada, tornando assim um investimento mais “seguro”. Isso se mostra evidente nas histórias dos músicos. 

Primeira imagem da cinebiografia dos Beattles. Créditos/Reprodução

“Os filmes biográficos musicais são imensamente populares porque combinam dois elementos narrativos poderosos: a música, que evoca conexões emocionais profundas, e as lutas pessoais por trás de alguns dos artistas mais icónicos do mundo”, explica o expert em cultura pop Dermot McNamara, para a revista Bazaar. “Esses filmes ressoam em todas as gerações, oferecendo nostalgia ao público mais velho e apresentando aos espectadores mais jovens lendas com as quais eles podem não ter crescido”.

O cenário também se aplica em histórias brasileiras, com filmes como Hebe: A Estrela do Brasil (2019), Marighella (2021) e Homem com H (2025) reforçando o zeitgeist cultural de uma geração consumida por telas. 

WhatsApp

Envie suas notícias

Clique aqui para falar conosco no WhatsApp SÃO PAULO Clima