Cinema
Cinebiografia: tendência ou retrocesso?

Entenda o novo fenômeno da sétima arte e suas possíveis raízes
Na última sexta-feira (13/02), a Internet foi surpreendida com o anúncio de uma nova biografia nas telonas, desta vez da célebre cantora Cass Elliot (The Mamas and The Papas). A atriz escalada para viver Elliot é Jessica Gunning — a estrela da série Bebê Rena (Netflix).
Acontece que Cass não é o único astro a ganhar uma cinebiografia. A tendência vem crescendo nos últimos anos, especialmente com o anúncio de outras histórias do mundo pop, como Michael Jackson, Janis Joplin e até mesmo os Beatles. Os filmes, ainda não lançados, parecem seguir a mesma linha narrativa planejada para Cass Elliot — retratar ícones da música psicodélica e pop/rock, passando por mitos pessoais e memórias.
Mas qual seria o motivo por trás dessa tendência e quais as suas repercussões?
Definição
De acordo com a BBC UK, uma Biopic, termo em inglês para cinebiografia, é um gênero do cinema que busca contar a história de uma figura pública relevante para a sociedade.
A história das biopics vêm desde os primórdios do cinema. O clássico Joan of Arc, dirigido por Georges Méliès (1900), é considerado por estudantes da área uma das primeiras biografias. Desde então, cineastas de todo mundo criam, e muitas vezes aumentam, narrativas para vender histórias de grandes figuras. Um caso famoso foi Amadeus (1984), que retrata a história de Mozart; o longa foi altamente criticado por exagerar a rivalidade entre o compositor e Salieri.

Popularidade
Uma possível explicação para esse gênero ser tão popular reside em fatores de mercado. Com o crescimento de streamings e de premiações que valorizam esse tipo de produção, o cinema tem apresentado uma grande quantidade de filmes biográficos, pois as pessoas estão buscando histórias que pareçam reais em meio a tanta ficção.
Serviços como Amazon Prime, Netflix e HBO apostam em biografias porque, culturalmente, possuem um alcance maior e já tem uma audiência interessada, tornando assim um investimento mais “seguro”. Isso se mostra evidente nas histórias dos músicos.

“Os filmes biográficos musicais são imensamente populares porque combinam dois elementos narrativos poderosos: a música, que evoca conexões emocionais profundas, e as lutas pessoais por trás de alguns dos artistas mais icónicos do mundo”, explica o expert em cultura pop Dermot McNamara, para a revista Bazaar. “Esses filmes ressoam em todas as gerações, oferecendo nostalgia ao público mais velho e apresentando aos espectadores mais jovens lendas com as quais eles podem não ter crescido”.
O cenário também se aplica em histórias brasileiras, com filmes como Hebe: A Estrela do Brasil (2019), Marighella (2021) e Homem com H (2025) reforçando o zeitgeist cultural de uma geração consumida por telas.






