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Como timelines moldam a percepção dos jovens

Como timelines moldam a percepção dos jovens
Por Vitória de Assis Peres
Publicado em 27/01/2026 às 16:33

A tendência de não debater os fatos, mas sim versões imaginadas deles

O Rumor Cria Uma Ilusão Simples

Ontem (26), a internet brasileira ‘surtou’ com os rumores da vinda de Britney Spears para um suposto show em Copacabana, patrocinado pelo Todo Mundo No Rio

O Rio de Janeiro, há alguns anos, vem promovendo um evento que traz estrelas do pop para realizar um megashow gratuito sediado na praia de Copacabana. Anualmente, a prefeitura carioca lança pequenos spoilers, através das redes sociais, de qual será o artista convidado da vez. 

Este ano, não foi diferente. Após o show de Lady Gaga em 2025, a colunista Fábia Oliveira (Metrópoles) noticiou um rumor de que Britney Spears seria a atração para o próximo show, previsto para maio. O boato, entretanto, foi logo desmentido pela empresa Bonus Track — responsável pela comunicação do evento.

Créditos: Reprodução – X

Fabricação do Consenso

O jornalista Walter Lippmann, em Public Opinion (1922), argumenta que agentes como a mídia formam visões de mundo via “pseudo-ambientes” –  recortes da realidade que não condizem com a experiência real, mas são feitos para guiar a população a vontade das elites.

Este conceito, “Fabricação do Consenso”, exemplifica a suposta vinda da artista norte-americana. Isso porque o rumor atua como a imagem mental (“pseudo-ambiente”) de euforia coletiva, direcionando opiniões sem atestar fatos concretos.

O cenário é como um quadro que pinta a promessa de um maravilhoso espetáculo, gerando expectativas no público – a volta da “Princesa do Pop” aos palcos. A imagem é fácil de engolir, causando empolgação em massa. 

Nesse sentido, páginas de fofoca e de conteúdo rápido perpetuam, intencionalmente ou não, essa cadeia de ilusões. Produzem material sem checar fontes confiáveis, enquanto a população consome a narrativa e engaja sem questionar. 

Ou seja, criam um consenso fabricado. Lippmann diria: o público vira “rebanho” guiado por emoções, não fatos.

Créditos: Divulgação – Suzeteo Enterprises

Esse processo todo é intensificado com os algoritmos das redes, que reproduzem apenas o que o usuário quer consumir e enxergar, blindando toda e qualquer possibilidade de checagem dos fatos. Tais micro-realidades, alimentadas pelo fluxo de funcionamento das redes sociais, moldam a percepção de seus usuários – majoritariamente jovens – e fortificam a fabricação do senso comum.

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