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Comportamento

“2026 é o novo 2016”: consciência e refúgio nostálgico 

“2026 é o novo 2016”: consciência e refúgio nostálgico 
Por Vitória de Assis Peres
Publicado em 20/01/2026 às 13:25

Entenda a trend que está bombando nas redes sociais

Calça skinny preta, copo de bebida do Starbucks, CostaGold, Stranger Things, Justin Bieber e Musical.ly são alguns dos elementos que marcaram o ano de 2016. Mas por que estão voltando à tona agora? A nostalgia como sintoma de tempos confusos pode ser a resposta. 

Recentemente, redes sociais como Instagram em Tiktok têm recebido um alto volume de postagens referente a uma nova trend – “2026 é o novo 2016”. Consiste em compartilhar fotos do usuário no ano de 2016, destacando componentes como a moda da época, as músicas que estavam em alta ou até mesmo fenômenos culturais que ocorreram no período.

Diversas celebridades resgataram fotos, como Maisa, Larissa Manoela, Selena Gomez e Kylie Jenner. 

Foto: Teen Vogue

Escapismo

Um forte motivador para explicar essa inclinação comportamental é o escapismo. Na essência de sua definição, é a “propensão para fugir à realidade ou ao cotidiano, por meio da abstração e da fantasia – geralmente para não vivenciar situações ruins”

O notório dramaturgo Shakespeare, mesmo tendo existido em um século completamente distinto, pode oferecer uma reflexão sobre o tema. Ou melhor, suas obras podem. Em Hamlet, um personagem diz “A consciência faz de todos nós covardes”. A frase traça um paralelo com as tendências comportamentais, ao esclarecer que a hiperconsciência da realidade — alimentada por crises políticas, ansiedade coletiva e sensação de futuro instável — paralisa a ação, oferecendo espaço para o recuo, a fuga. 

Essa fuga vive no imaginário coletivo, nos retirando temporariamente de confrontos reais mas perpetuando a covardia coletiva.​ Nesse sentido, a fantasia e os elementos nostálgicos oferecem conforto emocional e identidade compartilhada como um bálsamo para fugir da atualidade. Em tempos incertos, a nostalgia atua como prófugo de incertezas modernas. 

Ou seja: quanto mais pensamos nos problemas reais do mundo, maior a vontade de recorrer a velhas tendências para buscar conforto. Tal predisposição se manifesta em diversos veículos — na moda, na cultura pop e nas microtendências apoiadas na Internet.

É mais fácil e reconfortante recorrer ao passado do que encarar o desconhecido. Entender isso é um passo crucial para ter coragem de olhar para o futuro e mediar a necessidade de comodidade com a mudança. 

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