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Comportamento

A obra não termina no autor – ela começa no espectador

A obra não termina no autor – ela começa no espectador
Publicado em 13/01/2026 às 14:57

Como a subcultura de fandoms, edits e fancasts influencia a indústria do entretenimento

A Disney anunciou, recentemente, os nomes escalados para viver os icônicos protagonistas da adaptação live-action de Enrolados. A jovem Rapunzel, curiosa e com uma vivacidade tão grande quanto seus cabelos loiros, será interpretada pela australiana Teagan Croft. Enquanto Flynn Rider, o aventureiro par romântico da protagonista, será responsabilidade do ator Milo Manheim

A produção original, sucesso que conquistou milhares de corações, virou pauta de muitos internautas nos últimos dois anos, especialmente em redes como X (antigo Twitter) e TikTok. Nas redes sociais, os fãs clamavam seus fancasts – prática de sugerir atores e atrizes para interpretar personagens numa adaptação cinematográfica. 

Esse tipo de comportamento, comum na subcultura de fandoms, é uma maneira de consumir e engajar com determinado produto da indústria do entretenimento – seja um livro, uma obra audiovisual ou um jogo. Os consumidores, majoritariamente jovens, começaram a sugerir fancasts e fazer previsões para uma adaptação que nem tinha sido anunciada ainda. 

Essa conduta – ou seria ansiedade – de produção e criação de lore (material) para determinado produto cultural é a epítome da filosofia de Hans Robert Jauss

Estética da Recepção

O escritor e crítico alemão Hans Robert Jauss foi um dos expoentes da teoria da Estética da Recepção. Nascido em 1967, numa época em que a população ansiava por expor suas verdades sobre o cenário político mundial, o ensaio de Jauss foi uma luz para tempos confusos.

Créditos: Vitória de Assis Peres

No texto, Hans explica que o leitor preenche lacunas. Ele não é passivo, pois interpreta e atribui sentido à obra baseado nas suas experiências e cultura. Segundo o autor, o sentido de uma criação artística nasce do encontro entre a obra e o público. 

De maneira semelhante, a interação do consumidor com o produto suscita uma necessidade de criação: não só de sentido, mas também de subprodutos da obra matriz. É aí que surgem os edits (vídeos curtos e criativos que combinam trechos audiovisuais e música), os fancasts e a criação de demais formulações digitais.

O resultado

O impacto da recepção coletiva nas mídias foi, sem dúvida, um dos principais motores por trás da decisão da Disney de desenvolver o live-action do clássico Enrolados. Esse fator, aliado a uma instituição que compreende e valoriza sua audiência — incorporando de forma estratégica a cultura do consumo e o engajamento dos fandoms em suas produções —, ajuda a explicar como a engrenagem da Indústria do Entretenimento segue em constante movimento.

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